HU-UFPI realiza cirurgia com tecnologia avançada para tratar […]

14/05/2026 às 11:12

Por ETIPI Tecnologia

HU-UFPI realiza cirurgia com tecnologia avançada para tratar aneurisma cerebral em jovem

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) realizou um procedimento de alta complexidade para tratar um aneurisma cerebral de grandes proporções em um paciente de 23 anos. A intervenção utilizou um stent diversor de fluxo, tecnologia considerada uma das mais modernas do mundo e ainda pouco acessível na rede pública.

O estudante Carlos Manoel de Sousa Moraes procurou atendimento após perceber um desalinhamento no olho. O que parecia um problema oftalmológico revelou uma condição grave: um aneurisma cerebral de aproximadamente cinco centímetros, localizado próximo ao nervo óptico.

“Pelo tamanho, o aneurisma passou a comprimir meu nervo óptico, por isso eu estava ‘vesgo’. Fui submetido a um primeiro tratamento em outro hospital, mas o aneurisma recanalizou (quando o aneurisma volta a ser preenchido por sangue, aumentando o risco de ruptura)”, detalha Carlos. “Antes de chegar ao HU-UFPI, foi feita uma outra tentativa, dessa vez por meio de embolização com micromolas, o que também não foi suficiente para resolver meu problema”, acrescenta.

 

Paciente de 23 anos já havia passado por duas tentativas sem sucesso e tinha alto risco de morte em caso de ruptura

Foi então que Carlos foi encaminhado ao HU-UFPI e recebeu a indicação do uso de um stent diversor de fluxo, técnica que utiliza um pequeno tubo metálico de alto custo, ainda não disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Diferentemente das técnicas tradicionais, que atuam diretamente no aneurisma, o stent diversor de fluxo trata a artéria doente, impedindo a entrada de sangue na dilatação. Com isso, o aneurisma tende a regredir ao longo do tempo”, explica o neurologista do HU-UFPI, Marx Barros Araújo.

A indicação do dispositivo levou em conta a falha dos tratamentos anteriores, o tamanho da lesão e a idade do paciente. “Trata-se de um paciente muito jovem, com uma doença grave e alto risco de mortalidade em caso de ruptura, que pode chegar a cerca de 50%”, destaca o especialista.

O procedimento foi custeado com recursos destinados ao HU-UFPI por meio do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC), mecanismo de financiamento do SUS voltado ao suporte de ações estratégicas e de procedimentos de média e alta complexidade. A iniciativa possibilitou o acesso a uma tecnologia já utilizada em centros de referência no Brasil e no exterior.

“A gente observa resultados muito positivos com essa técnica, que já é empregada em países como Estados Unidos, Alemanha e França. É um avanço enorme poder oferecer esse tratamento de ponta em um hospital público no Piauí”, afirma o médico.

Apesar dos benefícios, o uso do stent diversor de fluxo é indicado apenas para casos específicos. “Não é todo aneurisma que precisa desse tipo de tratamento. A indicação depende de critérios clínicos e anatômicos bem definidos”, reforça.

O que é um aneurisma cerebral

O aneurisma é uma dilatação, como uma pequena bolha, na parede de uma artéria. O sangramento ocorre quando há ruptura, ou seja, quando essa bolha “estoura”.

 “É como um ponto fraco em um pneu: ele pode até resistir por um período, e você pode chegar de um lugar a outro, mas, se estourar, pode provocar uma hemorragia cerebral grave, com alto risco de morte ou sequelas”, explica o neurologista. Fatores como predisposição genética, tabagismo e hipertensão arterial estão entre os principais associados ao problema.

Fotos e fonte: Ascom UFPI

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