Um incêndio que atingiu a Embrapa Meio-Norte, em Teresina, durante seis dias consecutivos em outubro, provocou danos a áreas de pesquisa desenvolvidas há mais de 30 anos. O levantamento realizado com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), imagens de drone e outros recursos apontou que aproximadamente 65 hectares foram atingidos, o equivalente a cerca de 20% da área da instituição.
O fogo deixou um cenário de destruição, com vegetação queimada e solo escurecido. As chamas atingiram áreas experimentais de espécies como bacuri, xixá, mangaba, cajá, manga e caju, além de uma reserva ambiental.
Segundo Luís Faustino Chefe de Brigadas da Embrapa Meio-Norte, o incêndio também provocou a morte de animais silvestres, destruiu plantas e danificou estruturas utilizadas nas pesquisas, incluindo sistemas de irrigação, cercas e instalações de energia elétrica.
“Em 16 anos de trabalho na Embrapa, nunca presenciei um incêndio daquela proporção no local. As chamas chegaram até a área próxima ao bairro Santa Sofia, que faz limite com a instituição”, relata.
Mesmo após o combate às chamas, o retorno de focos de incêndio continua sendo uma preocupação. Por isso, as equipes reforçaram o monitoramento para evitar que o fogo se espalhe novamente.
As altas temperaturas, a baixa umidade do ar e os ventos fortes são fatores que favorecem a propagação das chamas.
A suspeita da Embrapa é que o incêndio tenha começado em decorrência da queima ou do descarte irregular de lixo nas proximidades da unidade, que faz limite com uma área residencial. A fumaça também atingiu moradores de bairros da zona Norte de Teresina.
Instituição pede apoio para prevenir novos incêndios
Diante dos prejuízos, a Embrapa defende a mobilização de parceiros e o diálogo com a comunidade e órgãos públicos, incluindo instituições ambientais e o Ministério Público, para fortalecer a prevenção.
O incêndio comprometeu experimentos desenvolvidos ao longo de anos, causando preocupação entre os profissionais envolvidos nas pesquisas.
A instituição também espera providências do poder público para impedir o descarte irregular de lixo e a prática de queimadas nas proximidades da área de pesquisa, reduzindo o risco de novos incêndios e de perdas para a ciência e o meio ambiente.
Reportagem: Christhian Sousa