CNBB lança Campanha da Fraternidade 2026 com foco na moradia
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, nesta quarta-feira (18), a Campanha da Fraternidade 2026, durante cerimônia realizada na sede da instituição, em Brasília (DF). Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a iniciativa convida a Igreja e a sociedade a refletirem sobre a moradia como direito fundamental e expressão concreta da dignidade humana.
No Piauí, a Arquidiocese de Teresina realizou o lançamento da campanha na manhã desta quinta-feira (19), na Residência Episcopal, reunindo membros do clero, pastorais e representantes de movimentos sociais.
Durante o evento nacional, o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul, fez a leitura da mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma. No texto, o Pontífice destacou a tradição de mais de 60 anos da Campanha da Fraternidade como expressão concreta da fé da Igreja Católica no Brasil, especialmente no compromisso com os pobres. Ele recordou a Exortação Apostólica Dilexi te, reafirmando que “existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres” e a necessidade de enfrentar as causas estruturais da pobreza.
O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, ressaltou que a Campanha da Fraternidade propõe uma conversão pessoal, comunitária e social. Ao abordar o tema deste ano, enfatizou que a moradia não pode ser tratada como privilégio, mas como condição básica para o exercício de outros direitos.
“Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco”, afirmou.
Com o lançamento da CF 2026, a CNBB reafirma o compromisso da Igreja no Brasil com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna, defendendo o acesso à terra, teto e trabalho como sinais visíveis do Deus que “veio morar entre nós”.
Piauí
Dados nacionais indicam que mais de 6 milhões de famílias vivem em condições inadequadas de moradia no país, enquanto quase 330 mil pessoas estão em situação de rua. No Piauí, o déficit habitacional chega a aproximadamente 125 mil domicílios. Em Teresina, esse número é estimado em cerca de 40 mil moradias.
A campanha defende que o poder público não governe “de costas para o povo”, mas que construa uma agenda social capaz de garantir direitos às famílias que vivem em comunidades ou em pequenas propriedades. A regularização fundiária e o reconhecimento dessas áreas são apontados como passos fundamentais para assegurar segurança jurídica e acesso a políticas habitacionais.
Na capital piauiense, a Prefeitura informou ter contratado 10 engenheiros e arquitetos para elaborar projetos habitacionais, com o objetivo de ampliar o número de moradias viabilizadas por programas federais, como o Minha Casa, Minha Vida. No último ano, foram entregues cerca de 1.080 unidades habitacionais, número ainda distante do total necessário para reduzir o déficit estimado em 40 mil moradias. A expectativa é que novos projetos possibilitem a construção de até 10 mil casas.
O Governo do Estado também tem atuado em frentes como regularização fundiária, melhoria habitacional e desenvolvimento de novos projetos de moradia. No entanto, especialistas reforçam que a solução passa por uma articulação federativa entre União, Estado e municípios, especialmente porque o cadastramento das famílias e a elaboração dos projetos dependem da atuação direta das gestões municipais.
O arcebiospo de Teresina, Dom Juarez destaca que “a campanha ressalta ainda que a moradia digna é porta de acesso a outros direitos fundamentais, como saúde, educação e segurança. Mais do que um abrigo físico, a casa é vista como espaço de aprendizagem, convivência, proteção e construção de vínculos.
“O grande objetivo da Campanha da Fraternidade 2026 é mobilizar comunidades, gestores públicos e sociedade civil na construção de soluções concretas para enfrentar o déficit habitacional, fortalecendo políticas públicas e promovendo maior conscientização social. Ao propor essa reflexão, a iniciativa convida cada cidadão a se reconhecer corresponsável pela construção de uma sociedade mais justa e fraterna, onde todos tenham assegurado o direito básico de ter um lar”, finaliza o arcebispo.