Em sua primeira visita à Serra da Capivara, o dentista Rodrigo Camazan se encantou com os vestígios do passado. “A gente gosta de viajar e conhecer a história dos lugares, a gente já viajou para outros lugares, outros sítios arqueológicos, e a gente sempre procura entender e compreender como isso tudo pode estar interligado lá atrás”.
Muito da preservação da Serra deve-se à arqueóloga Niède Guidon, que, por mais de cinco décadas, pesquisou e protegeu esse patrimônio. Ela morreu em junho de 2025, mas deixou um legado que hoje é preservado por pessoas como Gisele Felice, amiga e parceira de trabalho de Niède. “Eu aprendi muito sobre arqueologia com a Niède e aprendi muito sobre arqueologia com os técnicos, as pessoas da região que sempre escavaram com ela e com todos os outros pesquisadores que passaram por aqui. Niède sempre foi muito generosa em relação a repassar o conhecimento e dar oportunidades”.
O Parque da Serra da Capivara ocupa um território com vários municípios, entre eles, São Raimundo Nonato e Coronel José Dias. Esses locais também oferecem atrativos aos visitantes como o “Museu do Homem Americano” que preserva peças encontradas nas pesquisas arqueológicas, fósseis, esqueletos e réplicas dos povos antigos que viveram na região. Tudo isso com recursos audiovisuais e projeções que ampliam a experiência dos turistas.
Já o município Coronel José Dias, abriga o Museu da Natureza que tem elementos interativos que até simulam um voo panorâmico sobre as formações rochosas do parque. A aposentada Luciana Moreira descreve a experiência vivida no museu: “Eu achei fantástico, eu realmente me senti sobrevoando de asa delta e ver todos os ambientes que a gente visitou, eu me senti muito emocionada”.
Além da riqueza histórica, o turista que visita a região também pode desfrutar de um espetáculo cultural que une música, dança, teatro, circo e artes visuais em meio às paisagens da Caatinga. A sétima edição da Ópera da Serra da Capivara trouxe neste ano o espetáculo “Cleópatra Rainha Caatingueira” unindo referências do Egito Antigo à paisagem sertaneja. As luzes e projeções gráficas transformam a noite e criam uma atmosfera que envolve o público num grande palco a céu aberto.
“O corpo do Brasil está aqui na América, mas a nossa alma, nossa história, nossa cultura, ela começa pela África também”, explica a organizadora do espetáculo, Sádia Castro. Ela relembra que as pesquisas de Niède Guidon também mostram que os primeiros habitantes das Américas vieram da África e por isso a escolha do tema do espetáculo. “A gente tentou contar essa história por uma mulher, uma mulher grande, poderosa, que renasce, morre e renasce aqui no sertão”, completa.
Durante quatro noites, cerca de 50 artistas de vários estados brasileiros entre músicos, cantores e bailarinos encantaram o público na Serra da Capivara. Entre os espectadores, a cirurgiã-dentista Rose Braga que nunca havia assistido a ópera. “Eu estou simplesmente encantada. Enquanto eu assistia, eu falava para meu esposo que não perco mais nenhum ano. Foi um espetáculo lindo”.
Para o empresário Bernando Boljean a combinação de músicas compostas especialmente para a ópera, cenário natural, história e efeitos visuais tornou a experiência ainda mais especial. “Eu já fui em muitos espetáculos fora do Brasil, mas igual a esse, eu nunca fui. Isso aqui é um negócio para a gente se orgulhar, toca o coração, em todo sentido. Me emocionei várias vezes. Nunca senti tanto orgulho de ser brasileiro e de vir aqui, porque a gente tem mania de prestigiar a cultura lá de fora. Essa cultura aqui, ela tem que ser vista pelo Brasil e pelo mundo”, conclui.
O Caminhos da Reportagem Serra da Capivara: A Pré-História em Cena vai ao ar na segunda-feira (19/10), às 23h30 na TV Brasil.
Ficha técnica:
Reportagem: Christhian Sousa
Roteiro e produção: Dulce Luz
Reportagem cinematográfica: Antônio Carlos dos Santos
Montagem e finalização de imagem: Rafael Oliveira
Edição de texto: Christhian Sousa
Direção de jornalismo: Márcio Gleu
Direção TV Antares: Núbia Ramos
Presidente da Fundação Antares: Mussoline Guedes
