30/05/2026 às 18:04

Por Rejane Moraes

Da água que transforma à cidade que evolui: como o saneamento ajudou a reescrever a história do Mocambinho.

Antes das avenidas movimentadas, dos supermercados, das escolas e da rede de esgoto que hoje corta silenciosamente as ruas do Mocambinho, havia apenas um conjunto habitacional recém-inaugurado no extremo norte de Teresina.

Conjunto Mocambinho em dezembro de 1982, Cohab-PI. (Foto: Acervo digital Teresina Antiga).
Conjunto Mocambinho em dezembro de 1982, Cohab-PI. (Foto: Acervo digital Teresina Antiga).

Quando recebeu as chaves da casa, em 1982, o seu Etin, não imaginava que estava testemunhando o nascimento de uma das maiores comunidades da capital.

O trajeto era difícil. Os ônibus eram escassos. As ruas ainda não tinham a estrutura que existe atualmente. O bairro parecia distante do restante da cidade.

“Quando cheguei aqui, tudo estava começando. Era um desafio. Não tinha a infraestrutura que existe hoje. Mas as pessoas acreditavam no Mocambinho”, recorda.

Etin Brasil - Morador do bairro Mocambinho desde 1982. (Foto: Thiago Santos)

“No Piauí a gente tem 92% da população com acesso à água, 45% de coleta de esgoto, então o

acesso pleno ao saneamento pode gerar todos esses benefícios que a gente vê também em

escala nacional. Teresina tem investido muito em saneamento básico, por exemplo, na última

edição do ranking do saneamento do Trata Brasil, a cidade evoluiu 14 posições, foi um dos

municípios que mais evoluiu no ranking, principalmente por conta do avanço na coleta e

tratamento dos esgotos. Mas esse avanço vem com o investimento, vem com a priorização do

tema saneamento básico e com o acesso pleno à água tratada e também a coleta e tratamento

dos esgotos, que vai gerar todo esse benefício de saúde, de renda, de melhor escolaridade

média nas crianças, de um futuro mais promissor. E com dignidade necessária para cada cidadão

Piauíense.”, revela.

É justamente nesse ponto que o saneamento deixa de ser apenas uma obra de engenharia e

passa a dialogar com um conceito cada vez mais presente no planejamento urbano: o de cidades

inteligentes.

UMA CIDADE INTELIGENTE COMEÇA PELO BÁSICO

Quando se fala em cidades inteligentes, muitas pessoas imaginam sensores, aplicativos e

tecnologia de ponta.

Mas especialistas apontam que nenhuma cidade se torna inteligente sem resolver primeiro

questões fundamentais como água tratada, esgotamento sanitário, drenagem e gestão

ambiental.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas

reforçam essa visão. O saneamento está diretamente relacionado ao ODS 6, que prevê águalimpa e saneamento para todos.

Em outras palavras, investir em saneamento é investir simultaneamente em vários indicadores de

desenvolvimento.

A MUDANÇA QUE CHEGA DENTRO DE CASA

Para dona Vilmara Rodrigues, toda essa discussão técnica pode ser resumida em algo muito

mais simples: a água.

Ela sorri quando fala sobre o assunto. “Eles podem dizer o que quiserem, mas a melhor água é a

daqui. Eu viajo, experimento água em outros lugares, mas quando volto para Teresina parece que

até a sede passa. Tudo com ela é maravilhosa, nossa água não tem pareia!”, afirma.

 

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