Da água que transforma à cidade que evolui: como o saneamento ajudou a reescrever a história do Mocambinho.
Antes das avenidas movimentadas, dos supermercados, das escolas e da rede de esgoto que hoje corta silenciosamente as ruas do Mocambinho, havia apenas um conjunto habitacional recém-inaugurado no extremo norte de Teresina.

Quando recebeu as chaves da casa, em 1982, o seu Etin, não imaginava que estava testemunhando o nascimento de uma das maiores comunidades da capital.
O trajeto era difícil. Os ônibus eram escassos. As ruas ainda não tinham a estrutura que existe atualmente. O bairro parecia distante do restante da cidade.
“Quando cheguei aqui, tudo estava começando. Era um desafio. Não tinha a infraestrutura que existe hoje. Mas as pessoas acreditavam no Mocambinho”, recorda.

“No Piauí a gente tem 92% da população com acesso à água, 45% de coleta de esgoto, então o
acesso pleno ao saneamento pode gerar todos esses benefícios que a gente vê também em
escala nacional. Teresina tem investido muito em saneamento básico, por exemplo, na última
edição do ranking do saneamento do Trata Brasil, a cidade evoluiu 14 posições, foi um dos
municípios que mais evoluiu no ranking, principalmente por conta do avanço na coleta e
tratamento dos esgotos. Mas esse avanço vem com o investimento, vem com a priorização do
tema saneamento básico e com o acesso pleno à água tratada e também a coleta e tratamento
dos esgotos, que vai gerar todo esse benefício de saúde, de renda, de melhor escolaridade
média nas crianças, de um futuro mais promissor. E com dignidade necessária para cada cidadão
Piauíense.”, revela.
É justamente nesse ponto que o saneamento deixa de ser apenas uma obra de engenharia e
passa a dialogar com um conceito cada vez mais presente no planejamento urbano: o de cidades
inteligentes.
UMA CIDADE INTELIGENTE COMEÇA PELO BÁSICO
Quando se fala em cidades inteligentes, muitas pessoas imaginam sensores, aplicativos e
tecnologia de ponta.
Mas especialistas apontam que nenhuma cidade se torna inteligente sem resolver primeiro
questões fundamentais como água tratada, esgotamento sanitário, drenagem e gestão
ambiental.
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas
reforçam essa visão. O saneamento está diretamente relacionado ao ODS 6, que prevê águalimpa e saneamento para todos.
Em outras palavras, investir em saneamento é investir simultaneamente em vários indicadores de
desenvolvimento.
A MUDANÇA QUE CHEGA DENTRO DE CASA
Para dona Vilmara Rodrigues, toda essa discussão técnica pode ser resumida em algo muito
mais simples: a água.
Ela sorri quando fala sobre o assunto. “Eles podem dizer o que quiserem, mas a melhor água é a
daqui. Eu viajo, experimento água em outros lugares, mas quando volto para Teresina parece que
até a sede passa. Tudo com ela é maravilhosa, nossa água não tem pareia!”, afirma.